Fé e razão: Bento XVI responde a um cientista ateu

Por Le Salon Beige | Tradução: Fratres in Unum.com - Bento XVI escreveu em 30 de agosto uma carta de 11 páginas ao matemático ateu Piergiorgio Oddifreddi, em resposta a um ensaio provocador que este ultimo havia publicado no início do ano ainda antes da renúncia do Sumo Pontífice. Oddifreddi escreveu:
“[...] Uma resposta surpreendente, que de fato me surpreendeu por duas razões. Inicialmente,porque o papa leu um livro que desde a capa se apresentava como uma “introdução luciferina ao ateísmo”. Depois, porque ele se propôs a comentá-lo e discutir a respeito.
Papa Bento XVIAliás, não foi por acaso que eu havia endereçado minha carta aberta a Ratzinger. Depois da leitura de sua “Introdução ao Cristianismo” [...], eu compreendi que a Fé e a doutrina de Bento XVI, diferentemente das dos outros, eram suficientemente coerentes e aguerridas para estar em medida de afrontar muito bem ataques diretos. Um diálogo com ele, ainda que imaginado à distância, poderia, pois, confirmar-se estimulante e nada banal, algo para afrontar com cabeça erguida.
Escrevendo meu livro como um comentário ao seu, eu tentei encorajar a possibilidade, ainda que distante, de que um dia o destinatário poderia de fato a receber. Eu havia pois baixado os tons sarcásticos de outros ensaios, escolhendo um estilo de permuta entre professores “em igualdade”, obviamente em sentido acadêmico do termo. Eu havia acentuado os argumentos intelectuais sobre os quais eu esperava atrair sua atenção, sem renunciar a atacar de frente os problemas internos da fé e suas relações exteriores com a ciência.
Meu foco não foi falseado, já que atingiu sua meta: que obviamente não era de tentar “converter o papa”, mas de expor honestamente as perplexidades, e às vezes incredulidade, de um matemático sobre a fé. Do mesmo modo a carta de Bento XVI não procura “converter o ateu”, mas lhe remete honestamente a perplexidade simétrica, e às vezes incredulidade, de um cristão muito especial sobre o ateísmo.
O resultado é um dialogo entre a fé e a razão que, como o assinala Bento XVI, permitiu a ambos um confronto franco, por vezes duro, no espírito dessa corte de Gentios que ele mesmo havia sugerido em 2009. Se eu esperei algumas semanas para tornar pública sua participação no diálogo, é porque eu queria estar certo de que ele não desejava mantê-la privada.
Já que recebi a confirmação, eu lhes adianto aqui uma parte da sua carta, que é deveras longa e detalhada para ser reproduzida na sua inteireza, sobremodo no preâmbulo filosófico. Ela estará em breve numa nova versão do meu livro, despojada das partes em que ele preferiu não se delongar, mas enriquecido de uma nota para incluir a descrição do início e desenrolar do que parece ser um exemplo único na história da Igreja: um diálogo entre um papa teólogo e um matemático ateu. Opostos em quase tudo, mas unidos em torno de um único objetivo: a busca da Verdade com letra maiúscula.”
“Professor Oddifreddi, (…) eu quereria agradecer-lhe por ter buscado, até nos detalhes, confrontar-se ao meu livro e assim a minha fé; em grande parte é bem isso que eu descrevera em meu discurso à Cúria Romana na ocasião do Natal 2009. Eu devo igualmente agradecer-lhe pela fidelidade com a qual o senhor tratou meu texto, procurando sinceramente fazer-lhe justiça. Meu julgamento a respeito do seu livro é de que ele é um tanto contraditório. Eu li certas partes com prazer e proveito. Em outras partes, porém, eu me surpreendi com certa agressividade e ousadia na argumentação. (…)
Por várias vezes, o senhor me fez notar que a teologia seria uma espécie de ciência-ficção. Por outro lado e curiosamente, o senhor reteve meu livro como digno de discussão tão detalhada. Permita-me, pois, indicar-lhe quatro pontos relativos a tal questão:
  1. É correto afirmar que a “ciência” no sentido mais estrito do termo, seriam somente as matemáticas, mas o senhor me aponta uma oportuna distinção suplementar entre aritmética e geometria. Em todas essas matérias científicas, os métodos científicos têm suas próprias formas segundo a particularidade de seu objeto. Assim, o essencial é aplicar o método verificável, excluir o arbitrário e garantir a racionalidade nas diferentes modalidades respectivas.
  2. O senhor deveria ao menos reconhecer que, no domínio da história e do pensamento filosófico, a teologia produziu resultados duráveis.
  3. Uma função importante da teologia é a de manter a religião ligada à razão e a razão à religião. Estas duas funções são de uma importância essencial para a humanidade. Em meu diálogo com Habermas, eu demonstrei que existem patologias da religião e – não menos perigosas – patologias da razão. Ambas precisam uma da outra e mantê-las constantemente conectadas é um dever importante da teologia.
  4. Entretanto, a ciência-ficção existe no campo das mais variadas ciências. O que o senhor expõe a respeito das teorias concernindo o início e fim do mundo em Heisenberg [ndr: Nobel de Física de 1932], Schrödinger  [ndr: Nobel de Física de 1933], etc., eu o designaria como ciência-ficção no correto sentido do termo: trata-se de visões e antecipações para chegar ao verdadeiro conhecimento, mas justamente são apenas e precisamente imagens com as quais se procura aproximar-se da realidade. O grande estilo da ciência-ficção é encontrado sobremaneira na teoria da evolução. O gênio egoísta de Richard Dawkins é um exemplo clássico de ciência-ficção. Jacques Monod [ndr: Nobel de Física de 1965] escreveu frases que seguramente ele mesmo inseriu em sua obra como se tratando apenas de ciência-ficção. Eu cito “a aparição dos Vertebrados tetrápodes… tem justamente sua origem no fato que um peixe primitivo ‘escolheu’ ir explorar a terra, sobre a qual ele era, no entanto, incapaz de se deslocar senão pulando aleatoriamente e criando deste modo, como conseqüência de uma modificação de comportamento, a pressão seletiva graças à qual se teriam desenvolvido os membros robustos dos tetrápodes. Entre os descendentes desse audacioso explorador, qual Magellan da evolução, alguns podem correr a uma velocidade superior a 70 km/h… (citação segundo a edição italiana “Il caso e la necessità”, Milão 2001, pp.117 e seguintes)
Por todos os temas discutidos até aqui, trata-se de um diálogo sério pelo qual – como eu disse repetidas vezes – eu sou grato. Entretanto não posso dizer o mesmo a respeito do capítulo sobre o sacerdote e sobre a moral católica e muito menos sobre os capítulos a respeito de Jesus. Quanto ao que o senhor diz a respeito do abuso moral de menores da parte de sacerdotes, eu posso – como o senhor bem o sabe – somente encarar o fato com profunda consternação. Eu jamais procurei mascarar tais coisas. Que o poder do mal penetre até esse ponto o mundo da fé é para nós um sofrimento que, de um lado, nós devemos suportar, porém de outro, nós devemos fazer o possível a fim de que casos similares não se reproduzam mais. Não é tampouco uma consolação saber que, de acordo com pesquisas sociológicas, a porcentagem de sacerdotes incriminados não é mais elevada que a que se apresenta para outras categorias similares. Em todo caso, não se deveria apresentar de modo ostensivo esse desvio como mácula específica do catolicismo. Se não se é permitido calar-se diante do mal na Igreja, tampouco se deve silenciar o rastro luminoso de bondade e pureza que a fé cristã traçou no decurso dos séculos. Cumpre lembrar-se das grandes personagens puras que a fé produziu – de Bento de Núrcia e sua irmã Escolástica, de Francisco e Clara de Assis a Teresa de Ávila e João da Cruz, grandes santos da caridade como Vicente de Paulo e Camilo de Lélis até Madre Teresa de Calcutá e as grandes nobres personagens do século XIX. E é verdade que a fé ainda hoje impulsiona muitas pessoas ao amor desinteressado, ao serviço dos outros, à sinceridade e à justiça. (…)
O que o senhor diz a respeito do personagem de Jesus não é digno do seu status de cientista. Se o senhor coloca a questão como se, a respeito do personagem de Jesus finalmente nós não soubéssemos nada, e que como personagem científica nada é aceitável, então eu poderia somente e decididamente convidá-lo a se tornar um pouco mais competente do ponto de vista histórico. Para tanto, eu lhe recomendo sobretudo os quatro volumes que  Martin Hengel (Faculdade de teologia protestante de Tübingen) publicou com Maria Schwemer: é um exemplo excelente de precisão histórica e de amplas informações históricas. Em contrapartida, o que o senhor diz sobre Jesus é uma ousadia que o senhor não deveria repetir. É um fato incontestável que na exegese muito se escreveu a respeito da falta de seriedade. O seminário americano sobre Jesus que o senhor cita, nas pp. 105 e seguintes, apenas confirma uma vez mais o que Albert Schweitzer escrevera a respeito de “Leben-Jesu-Forschung” (Pesquisa sobre a vida de Jesus) e que o tal dito “Jesus histórico” é no máximo o reflexo das idéias dos autores. No entanto, tais formas de trabalho mal redigidas não comprometem de modo algum a gravidade da pesquisa histórica séria, que nos trouxe verdadeiro conhecimento no que concerne o anúncio e o personagem de Jesus. (…) Ademais, eu impugno com vigor sua afirmação (p. 126), segundo a qual eu teria apresentado a exegese histórico-crítica como um instrumento do anticristo. Tratando da narração das tentações de Jesus, eu apenas retomei a tese de Soloviev de acordo com a qual a exegese histórico-crítica pode ser utilizada igualmente com o anticristo – isso é um fato incontestável. No entanto, em um mesmo momento – e em particular na premissa do primeiro volume do meu livro Jesus de Nazaré – eu esclareci de modo notório que a exegese histórico-crítica é necessária para uma fé que não propõe mitos com imagens históricas, mas que requer um método histórico verdadeiro: Assim, cumpre igualmente que o senhor apresente a realidade histórica de suas asserções de maneira científica. Por isso, não é nada correto para o senhor dizer que eu estaria interessado somente nos fundamentos imutáveis: bem ao contrário, todos os meus esforços tiveram por objetivo mostrar que o Jesus do Evangelho é igualmente o real Jesus histórico, ou seja, que se trata de uma história que realmente ocorreu. (…)
No 19°capítulo de seu livro, nós retornamos aos aspectos positivos do seu diálogo com meu pensamento. (…) Ainda que sua interpretação de João 1,1 esteja bem distante do que o evangelista quis dizer, existe todavia uma convergência que cabe ser mencionada. Porém, se o senhor pretende substituir Deus por “Natureza”, cumpre saber pois quem é essa natureza ou o que é. O senhor não a define em parte alguma e ela acaba por aparecer como uma divindade irracional que não explica nada. Eu gostaria sobretudo lhe fazer notar que em sua religião das matemáticas, três temas fundamentais da existência humana não são considerados: a liberdade, o amor e o mal. Surpreende o fato que com um simples gesto o senhor liquide a liberdade que no entanto foi e ainda é o valor fundamental da época moderna. Em seu livro, o amor não aparece de modo algum, assim como não há alguma informação a propósito do mal. O que importa o que diz ou não a neurobiologia a respeito da liberdade, no drama real de nossa história, ela está presente como uma realidade determinante e deve ser levada em consideração. No entanto, sua religião matemática nada diz sobre o mal. Uma religião negligente das buscas fundamentais permanece vazia de sentido.
Professor, minha crítica ao seu livro é em parte dura. Mas a franqueza faz parte do diálogo; o conhecimento só pode crescer desse modo. O senhor foi bem franco e eu espero que aceite minha crítica com o mesmo espírito. Em todos os casos, eu avalio positivamente o fato que através de sua confrontação com minha introdução ao cristianismo, o senhor tenha procurado um diálogo aberto com a Fé da Igreja Católica e que, não obstante os contrastes, no campo central, há várias convergências. Com minhas saudações cordiais e votos de uma boa continuação em seu trabalho.”
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ORAÇÃO PARA OS ESTUDOS

* do Doctor Angelicus Santo Tomás de Aquino

Infalível Criador, que dos tesouros da Vossa sabedoria, tiraste as hierarquias dos Anjos colocando-as com ordem admirável no céu; distribuístes o universo com encantável harmonia, Vós que sois a verdadeira fonte da luz e o princípio supremo da sabedoria, difundi sobre as trevas da minha mente  o raio do esplendor, removendo as duplas trevas nas quais nasci: o pecado e a ignorância.

Vós que tornaste fecunda a língua das crianças, tornai erudita a minha língua e espalhai sobre os meus lábios a vossa bênção. Concede-me a acuracidade para entender, a capacidade de reter, a sutileza de relevar, a facilidade de aprender, a graça abundante de falar e de escrever. Ensina-me a começar, rege-me a continuar e perseverar até o término. Vós que sois verdadeiro Deus e verdadeiro homem, que vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém.
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No dia da Padroeira do Brasil, o Cristo Redentor completa 80 anos!!

coleção aguinaldo silva

Fonte: Veja on Line

Construir uma estátua com a representação da imagem de Jesus Cristo em um pico de platô pequeno, a 710 metros de altura do chão, sem estrada de rodagem alguma nem água por perto, era um desafio dos mais difíceis na década de 20. Além disso, sua forma criava outras dificuldades: muita gente achava que os braços, abertos e esticados, despencariam com os primeiros ventos — lá em cima eles batem com mais força que no solo urbano e não raro ultrapassam 100 quilômetros por hora.

O concurso para escolher o melhor projeto para o Cristo Redentor havia sido vencido, em 1921, por Heitor da Silva Costa, arquiteto e engenheiro carioca, morador do bairro do Flamengo. Ele passaria os anos seguintes arredondando os desenhos, mandando construir maquetes, fazendo e refazendo cálculos matemáticos e chefiando missões brasileiras a Paris, cidade à qual foram encomendados serviços artísticos do escultor franco-polonês Paul Landowski, autor da cabeça e das mãos da estátua. Somente em 1926, sob a batuta do encarregado das obras, Heitor Levy, a construção seria iniciada.

Esse monumento de 38 metros de altura, fincado no topo do Corcovado, justifica sua presença no rol dos grandes feitos da engenharia. “As duras condições de trabalho e os recursos parcos tornaram mais criativas as soluções técnicas adotadas”, explica o engenheiro baiano Maurício Brayner, autor de um recente estudo sobre o tema, na Fundação Getulio Vargas.

Ele destaca como foi acertada a escolha do concreto armado. O material era uma novidade no estilo art déco e baixou o preço final do empreendimento, que fora inicialmente idealizado em metal, como a Estátua da Liberdade, em Nova York. “Heitor da Silva Costa desistiu por considerar feio o efeito do cobre a longa distância e por temer que em uma guerra o monumento acabasse sendo destruído, com a finalidade de virar peças de artilharia”, acrescenta.

arquivo o cruzeiro/em/d.a. pressMaquete de Landowski

Silva Costa foi meticuloso. A altura e a posição da estátua, por exemplo, foram definidas com base em observações particulares, ele próprio olhando para o Corcovado de vários locais, incluindo as cidades (na época longínquas) de São Gonçalo e Niterói. O ângulo de visão da Praia de Botafogo foi escolhido como ponto frontal porque dali o monumento aparecia com cerca de 10% da altura do maciço que lhe serve de pedestal natural, o que o engenheiro considerava adequado, numa boa proporção. Além disso, o Redentor seria visualizado de frente pelos visitantes que chegassem, por mar, à Baía de Guanabara.

Na obra, a dificuldade começaria já desde o papel. As plantas necessárias para alinhar o perfil externo do acabamento aos moldes internos do concreto foram feitas por uma equipe de dez desenhistas, “numa extensão de 16 quilômetros, se as respectivas folhas fossem alinhadas uma depois da outra”, como descreveu o próprio Silva Costa à Revista do Clube de Engenharia. Também não era nada fácil o acesso de materiais e de operários ao canteiro. Cimento, areia, brita, vergalhões e milhares de pequeninos triângulos de esteatita (pedra-sabão) eram transportados de trem até perto daquela faixa de terra mais ou menos plana, de 15 metros de diâmetro, no mirante até então chamado de Chapéu do Sol, cume do Morro do Corcovado. Não havia líquido por perto, nem para beber, nem para fazer cimento. Bombeava-se a água de uma fonte num riacho distante 300 metros dali.

Desenhos com cálculos matemáticos


Para fazer uma base quadrada de 9 metros de lado, foi preciso que na rocha virgem — um gnaisse duro de roer — fosse aberto com dinamite um poço de 4 metros de profundidade. Os vergalhões foram chumbados a mão, e todo o concreto era preparado no local, erguido até as formas previstas nos desenhos por toscas gruas e aplicado manualmente pela equipe do mestre executor Levy — que se mudou de mala e cuia para o Corcovado e lá viveu por cinco anos, chegando a se converter ao catolicismo (era judeu). A obra foi realizada em lajes sucessivas e superpostas, doze ao todo, a cada 10 metros, com quatro pilares centrais, processo comum em prédios de hoje, mas uma novidade arriscada nos anos 20. Os pisos são menores perto do topo e os dois últimos pilares estão levemente inclinados para a frente, cerca de 5 graus, sustentando a cabeça de 3,75 metros de altura e 20 toneladas. Ela foi feita de concreto a partir de um molde de gesso que havia sido enviado, recortado em cinquenta partes, por Paul Landowski e remontado peça por peça num sítio, em São Gonçalo, de propriedade do engenheiro Levy.

coleção aguinaldo silvaCenário das obras no topo da montanha


As únicas vigas de aço da obra sustentam as mãos e estão presas no concreto da estrutura dos braços de 29,6 metros de comprimento, a qual não é perfeitamente simétrica — pelo projeto, o esquerdo é 60 centímetros menor, e sua estrutura interna, além de diferente, é mais angulada em direção à mão que no lado oposto. Mas esses são detalhes imperceptíveis a olhos nus e leigos. Na construção, usaram-se inicialmente andaimes de madeira, mas uma ventania afetou a estrutura, trocada então por trilhos de bonde. O Cristo foi realmente feito para suportar qualquer intempérie. A resistência do conjunto inteiro ao empuxo, no caso de ventos em turbilhão, é quase quatro vezes maior do que a que poderia ser normalmente adotada em construções do gênero, edifícios, no caso — especialistas em obras e engenharia costumam afirmar que o Cristo Redentor, por sua estrutura e pelo modo como foi erguido, nada mais é do que um prédio de dez andares.

Cabeça do Cristo no sítio de Levy


O acabamento com triângulos de pedra-sabão pré-cozida foi escolhido pelas propriedades da esteatita, que não racha, não se dilata e é impermeável. Resistente a ácidos, tem talco em sua composição, o que reduz o efeito do atrito com o vento. Um detalhe: foram equipes de mulheres católicas, e não operários, as responsáveis por colar em folhas, uma a uma, milhares de peças de pedra-sabão, que em seguida seriam aplicadas diretamente no cimento da estátua.

Ao fim e ao cabo, a cidade estava orgulhosa do feito. E seu principal realizador, Silva Costa, ficou todo bobo. “Fomos mais rápidos e mais eficientes que os construtores da Estátua da Liberdade”, costumava comparar, em conversas com os amigos. Argumentava que o Brasil tinha parcos recursos tecnológicos, menos dinheiro que os americanos (todo ele fruto de doações) e que, mesmo assim, o Cristo foi erguido em cinco anos, menos da metade do tempo que levou a obra nova-iorquina.

Tinha também notória satisfação por poder exibir um dado em particular: foram dezenas de arquitetos, outros tantos engenheiros, centenas de colaboradores, mais de 1 000 operários, e nenhum acidente grave registrado. Como por milagre, e as fotos mostram gente se equilibrando a 40 metros do solo, sem capacete, colete ou cinto, ninguém morreu na obra do Cristo.

acervo bel noronhaNa foto ao lado, repara-se que ainda não havia escadas que levassem à base do monumento


AUGUSTO MALTA/fmisO clima de festa no dia da inauguração

Na ocasião dessa data, com as bençãos do Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, no dia 30 de outubro, quando, segundo o calendário Romano em sua forma extraordinária, a Igreja celebra o dia de Cristo Rei do Universo, jovens Católicos de todo o Brasil participarão de uma peregrinação ao Cristo Redentor. Subirão o Corcovado com estandartes e músicas para honrar a Cristo Rei!

A peregrinação se dará nos moldes daquelas que já acontecem anualmente a Chartres, na França, e Luján, na Argentina, com cantos tradicionais, orações, ladainhas e estandartes. E, ao fim, já no santuário do Cristo Redentor, será celebrada a Santa Missa na forma extraordinária do Rito Romano, também conhecida como Missa Tridentina.

Visite o site da Peregrinação Nacional ao Cristo Redentor: http://www.peregrinosdecristorei.org/

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A teologia "progressista" esvazia as paróquias.

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Clero casado, anticoncepção, divórcio, aborto, homossexualidade... os episcopalianos aceitam tudo. E, entretanto, não deixam de perder fiéis. O mesmo acontece com outros protestantes "progressistas": luteranos, presbiterianos e unitaristas.

A teologia "progressista" esvazia as paróquias. E a prova mais evidente é a Igreja Episcopal, os anglicanos do EUA, antigamente uma comunidade em crescimento, e agora em um declive tão grave que um terço de suas paróquias fecharão nos próximos cinco anos, segundo um recente relatório do portal anglicano conservador VirtueOnline que analisa os dados oficiais desta igreja.

A deriva "progressista”

Os episcopalianos aprovaram tudo o que os "progressistas" exigiam e mais. Mas isso não atraiu fiéis. No século XVI, o anglicanismo aceitou o clero casado. Em 1930, aceitaram a anticoncepção. Em 1976, os episcopalianos aprovaram o clero feminino. Em 1989, ordenou-se a primeira bispa episcopaliana. Em 1994, proibiu toda terapia para deixar a homossexualidade. Em 2000, aceitou-se o sexo fora do matrimônio. Em 2003 ordenaram como bispo a Gene Robinson, um senhor divorciado, com dois filhos, que vivia «maritalmente» com outro homem (este ano 2011 deixou o cargo). Em 2006 o episcopalianismo admitia o matrimônio homossexual. Em 2010 presumia ordenar em Los Anjos uma bispa lésbica. Em 1 de janeiro de 2011 um bispo episcopaliano casava com pompa midiático a duas sacerdotisas lésbicas episcopalianas, uma delas a famosa militante pro-aborto, Katherine Ragsdale.

Nada disso atraiu gente à sua igreja. Nesta deriva liberal, o episcopalianismo perdeu mais de 30 por cento de seus fiéis. Se em 2001 tinham 3,4 milhões de fiéis autodeclarados, em 2009 só eram 2 milhões. Trata-se, sobretudo, de que os velhos morrem e ninguém os substitui, e de que muitos outros deixam de ir à Igreja. Alguns vão para igrejas conservadoras.

As cifras que analisa o relatório do VirtueOnline são ainda mais terminantes. Mede a "assistência média dominical" (o número de fiéis que se podem contar um domingo dado nos serviços religiosos desse dia em cada templo). É um dado muito concreto. Pois bem, em 2010 eram apenas 683.000 os episcopalianos que podiam ser encontrados um domingo em suas igrejas. Em 2009 eram 705.000 e em 2008 eram 727.000. Perdem 20.000 paroquianos praticantes, reais, cada ano.

O relatório mostra, por exemplo, que há sete diocese com menos de mil fiéis praticantes reais, e outras sete que não chegam aos 2.000. Não dá para manter a cúria nem o bispo.

Uma de cada três paróquias (sobre um total de 6.800) não chega nem aos 40 assistentes dominicais, o qual faz que seja insustentável demográfica e economicamente e fechará antes de cinco anos, segundo o relatório. Além disso há 2.380 paróquias que têm entre 40 e 100 paroquianos dominicais... e terão que fechar devido ao envelhecimento: sua idade média é de sessenta anos. E há outras 1.450 paróquias, com entre 100 e 200 paroquianos de assistência dominical real, que poderiam manter-se se houvesse uma geração jovem de fiéis para sustentá-la, mas isso não se dá. Inclusive há 36 catedrais episcopalianas que não conseguem ver nem duzentos fiéis no domingo.

Os episcopalianos tentam dissimular suas cifras com suas missões no estrangeiro. Por exemplo, no muito pobre Haiti mantêm 99 paróquias com 16.000 fiéis praticantes, que provavelmente não sabem nada de bispas lésbicas. Isso significa que no Haiti há mais "episcopalianos" que somando 14 diocese do EUA (mais que somando Dakota do Norte, Alaska, Montana, Idaho, Utah, Kansas Ocidental, etc...). Em Honduras mantêm 140 comunidades (11.500 fiéis), 58 na República Dominicana (3.000 fiéis), 48 em Porto Rico (2.400 fiéis), etc... Num total, 40.000 fora dos Estados Unidos.

Cresce o anglicanismo conservador

As pessoas de tradição anglicana e moral conservadora fartas da deriva liberal do episcopalianismo têm várias opções. Por um lado, em 2008 se criou a Igreja Anglicana da América do Norte (ACNA), com uns cem mil fiéis e quase 700 paróquias. São conservadores em moral, pró-vida e pró-família, de estilo evangélico, fartos da perseguição ao que lhes submetiam desde 1997 as autoridades episcopalianas "progressistas".

Outra opção para os episcopalianos e anglicanos conservadores é somar-se aos "ordinariatos" católicos que o Papa tem proposto e que vão se criar a partir de grupos anglocatólicos, mantendo parte de sua liturgia e costumes.

"Progressistas" luteranos, presbiterianos e unitaristas... igual

A aliança de luteranos liberais dos Estados Unidos (a ELCA) permite oficialmente o aborto desde 1991. 50% de seus clérigos acreditam que o aborto deve ser legal na maior parte dos casos, 14% pensam que deve ser legal sempre e só 3% acreditam que deve ser ilegal. Nas suas paróquias ia o especialista em abortar casos de seis meses George Tiller, assassinado faz um par de anos. Em 1991 a ELCA tinha 5,2 milhões de paroquianos; em 2009 só ficavam 4,5 milhões de "batizados" e deles apenas 2,5 milhões de "membros ativos".

Os presbiterianos (PCUSA), que no ano 2000 contavam com 2,5 milhões de membros, em 2010 já só tinham 2 milhões. De 2006 a 2009 60 de suas paróquias partiram a outras denominações, enquanto que só 5 comunidades se uniram à PCUSA atraídas por sua deriva liberal. Hoje outras 200 paróquias e comunidades conservadoras pretendem criar a sua própria igreja, desde que este mesmo ano o sínodo presbiteriano decidisse que "as pessoas em relações do mesmo sexo podem ser candidatas à ordenação ou designação como diáconos, anciões ou ministros", sem lhes pedir nenhum compromisso, nem monogamia, nem heterossexualidade nem exclusividade.

A igreja mais liberal dos Estados Unidos é a unitarista (UCC, United Church of Christ), a que assistia Barack Obama até mudar-se a Washington. Segundo o relatório «Clergy Voices 2008», 79 por cento dos clérigos unitaristas acreditam que o aborto deve ser legal sempre ou quase sempre, 83 por cento está a favor de entregar meninos em adoção a casais homossexuais e 74 por cento destes eclesiásticos se define como «politicamente liberal» (nos EUA se chama «liberal» ao que na Europa chamamos «progressista»). A UCC, nascida em 1957, conta em Dallas com uma «catedral» dirigida especialmente a homossexuais com 3.500 fiéis. Em 2001, os unitaristas eram 1,3 milhões de norte-americanos; em 2008 só eram 736.000.

E na Inglaterra, o mesmo

No Reino Unido, de 50 milhões de habitantes, apenas 13,4 milhões se declaram anglicanos, e só 1 milhão vai ao serviço dominical. Segundo o relatório «Cost of Conscience» de 2002 que entrevistou a 2.000 clérigos anglicanos só uma de cada três sacerdotisas acredita na maternidade virginal da María, quase a metade nega que Jesus ressuscitou, 30% nega a Trindade e uma de cada quatro não acredita em «Deus Pai Todo-poderoso» nem em «Deus Espírito Santo».

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